Durante a F8 2019, conferência para desenvolvedores do Facebook, que ocorreu no final de abril, Mark Zuckerberg revelou que o WhatsApp está migrando para um novo modelo de negócios: o e-commerce. Em breve, o mensageiro vai ganhar recursos na sua versão Business que permite aos lojistas criarem ambientes em que os clientes podem navegar por suas listas de produtos e fazer compras. Ou seja, uma plataforma de comércio eletrônico.

Publicidade no WhatsApp perde foco

É uma mudança de estratégia para quem acreditava que o foco da monetização do mensageiro seria apenas com mídia paga no WhatsApp, publicidade e posts patrocinados no WhatsApp Status, por exemplo. WhatsApp Ad é realidade, mas longe de ser o centro.

Não ficou claro, porém, como vai funcionar e se haverá cobrança de taxas para o uso de determinados recursos de vendas e pagamentos. De toda forma, é bastante animador.

Um ano de WhatsApp Business

Até então, o WhatsApp Business engatinhava como plataforma para negócios. As empresas usam o mensageiro para se comunicar com seu público, usando tags para identificar dados de mensagens e respostas automáticas para dúvidas dos consumidores, tornando o mensageiro um aplicativo simples de gerenciamento de relacionamento com o cliente (CRM) e acessível para qualquer companhia, inclusive autônomos e PMEs. No Brasil, é comum ver o uso do WhatsApp Business da venda de quentinhas até os serviços de SAC.

"Isso será especialmente importante para todas as pequenas empresas que não têm presença na Web e que usam cada vez mais as plataformas sociais privadas como sua principal forma de interagir com seus clientes”, disse Zuckerberg, seguido de aplausos.

Catálogos de produtos do WhatsApp Business

As palmas para a fala do fundador do Facebook, e agora dono do WhatsApp, são um forte sinal do quão esperados pelos usuários são os recursos. Tudo muda com a chegada de catálogos de produtos. Um ataque direto a aplicativos de delivery famosos como o iFood. O anúncio de Zuckerberg é uma expansão que pode significar mudanças neste mercado.

No evento, o executivo mostrou uma pessoa pagando por mercadorias com o WhatsApp, e é provável que os catálogos de produtos tragam embutidas lojas virtuais completas, em que clientes podem não apenas procurar produtos neste menu como também pagar por eles.

O novo serviço de pagamento permitirá que as pessoas enviem dinheiro umas para as outras, similar a aplicativos de carteira digital como PicPay e o mais recente Iti, do Itaú. O sistema será vinculado ao WhatsApp Business, se considerarmos o que foi mostrado aos presentes na f8, há poucos detalhes. O mais animador é que há testes em curso na Índia.

"Eu acredito que enviar dinheiro para alguém deve ser tão fácil quanto enviar uma foto. Já estamos testando isso na Índia com cerca de um milhão de pessoas. Está sendo muito usado e o feedback é ótimo. Vamos trabalhar nisso em vários outros países ainda este ano", completou. É esperado que, no próximo ano, o recurso chegue de fato a todos o mundo.